quinta-feira, 12 de setembro de 2013

08.02.13 - Carne vale!

Despojei-me em meio ao estofado,
 Ludibriei-me com suburbanos exaltados,
 Sons de fogos e risadas que soavam como trilha sonora,
 De foliões, desordeiros, gatunos, maconheiros, oportunistas e trambiqueiros.
 De pierrots, colombinas, ciganas, odaliscas, paulistas e nortistas.
 De chineses, italianos, portugueses, coreanos, turcos, e muçulmanos.
 E ouço vindo lá debaixo um murmúrio baixo:
 "Achas que não sou pura?" dizia a travesti a teu macho,
 "És uma puta de uma puta, só acho, só acho!",
  Disse eu de cima pra baixo de meu escritório.
 "Quem ousas me ofender em meu território?",
 Questionou "o vadia" num tom cheio de ódio.
 "Fui eu, tua puta de sexo duvidoso!", disse,
 Fazendo de minha janela meu observatório.
 A puta meio-homem tirava sua sandália,
 Enquanto eu um pouco atônito caíra na gargalhada.
 Com seu calçado em mãos e muito puta, dizia a puta:
 "Desces daí filho-da-puta! Tu não sabes quem sou,
 Venhas e desfigurarei a face tua!"
 No mesmo instante retruquei a bicha suja:
 "Claro que sei! És uma bicha pé-rapada, que acha que és dona da Rua Augusta!
 Tão escandalosa que merecia uma multa!"
 O vadia retrucou mais algumas ofensas, como se não bastasse a boca já imunda,
 Saiu retrucando aos ventos, prosas ainda mais chulas.
 E lá se foi a travesti estúpida,
 Murmurando ofensas, tirando a calcinha da bunda,
 De tão bêbada se equilibrava no salto e caminhava destrambelhada.
 Agora na sala, penso nesta comemoração indo-europeia tal,
 Com uma pitada de humor negro até pode ser legal.
 Mas com certeza, meu aval de soltura espiritual,
 É descançar, escrever, assistir e ler, no meu feriado de carnaval.

19.01.13 - Te peguei!

Ressalto a nudez,
Contida neste "bom dia".
Cores vivas, flores mortas,
Manhã quente, emoção fria.
Não digo nada,
Ninguém diz.
Mas lembramos,
Da canção que fiz.
Coca-cola, tabaco e culpa,
Culpa de que? Da enganação.
Satisfação depois exaustão,
Se vista, estás nua.
Declaração na cama,
Descaso no colchão.
Diz que me ama,
Solto um bufão.
É momento e nada mais,
Se é galhofa tanto faz.
Mentira, dor na alma traz,
Confesso, irei embora pro cais.
Três salvas de tiro,
Meu precioso sete de setembro.
Não combina contigo,
Nem comigo, sou independente.
Sou saliva solta,
Memória vaga,
Nó na orelha,
 Fio de cabelo.
Bicho solto agressivo,
Malaco, pilaco, intuitivo.
Filho da sombra sem umbigo,
Mente caótica, pensar opressivo.
Terror nos lábios,
Ser sem amigos.
Tequila, Margarita, Tacos y Nachos,
Genérico do claro.
Filho do real,
Primo do Surreal.
Irmão da ética,
Mas amante do bacanal.
Sujo de pensamento,
Exalo miasmas no flerte.
Sou o jogo pútrido do homem,
O amante sórdido em devaneios indecentes.
Sortudo, mas chulo,
Esperto e maligno,
Iludista puro,
Purista ilusório.
Ilusão de pureza,
Pura ilusão.
Mensagem cifrada;
Você está na minha mão.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

07.09.13 - Sete de Setembro

 É choque e borrachada.
 Ódio geral.
 Cheiro químico,
 Spray preto fosco.
 Porrada é punição.

 Sadomasoquistas existem,
 No Brasil são 200 milhões.
 Não sentimos prazer pela dor.
 Mas é constante,
 É diária.

 É costume o sofrimento,
 Um sofrimento, de costume.
 Miséria é tradição,
 E TV na sala também.
 Nós nos alimentamos de reclames.

 Eu, particularmente de:
 Futebol, novela, carnaval.
 O que sobra é paz,
 Na ignorância.
 Quem pensa demais é infeliz.

sábado, 7 de setembro de 2013

Sete de setembro, arte nos muros e Boss nas ruas



07.09.13 - Tira, fitilho, laço...

E eu que sempre achei que dar flores fosse sinônimo de cavalheirismo.
Ainda bem que essas viagens só passam e não ficam.
Se ficassem, mais tarde me causariam enjoo,
Queimação, azia e mal-estar.
Mas deixa estar, por que o que não é pra acontecer vai passar,
A dor que tu acha ser maior há de cessar,
e o final está mais próximo que tu achas.
Por incrível que pareça, cada momento vivido vira lição,
Toda sessão executada é assistida por multidão,
e muito, mas muito raramente tu serás aplaudido.
Segue anexo o meu pedido, SIGA SEU CAMINHO!
Achei que o momento era um pedaço de um capítulo.
Achei mal, pensei feio, errei rude e parei no meio.
Dei a cara a tapa e falei o que não devia.
Deixei a mostra o verdadeiro sentido do clube do bolinha.

03.09.13 - Vale Verde

 Este amor é paixão mútua.
 Dai-me fervor e te deixa maluca.
 Sentindo seu cheiro a beijo e te deixo nua.
 Quero acariciar e lamber essa sua,
 Molhada, carnuda e tão bela vulva.
 Apaixonei-me por ti logo na perscruta.
 Não fora de repente que gravei sua imagem una.
 Foi aos poucos que me vi te tornando única.
 Se perguntarem estou satisfeito com uma.
 Se me questionarem eu defendo a honra tua.
 Assim como você, não existe nenhuma.
 E "ai" de quem disser que encontrou alguma.
 Impossível mesmo é te perder e ser leve como pluma,
 Pois ficaria com a cabeça cheia de culpa.
 Você em mim é o meu pecado da gula,
 Minha avareza, minha ganância e luxúria.
 A você, não poderia lhe presentear seu valor nunca.
 Este pobre coitado só pode chorar esta folha suja.
 Porém, ele sabe que, antes que o poema sucumba,
 Não pode deixar de falar sobre sua astúcia,
 Que o prendeu de início e deixara-o enjaulado como uma cacatua.
 Mas se deixares, princesa, ele voará para Araruna.
 Entretanto, caso em sua vida você o inclua,
 Ele deixará de viver pra rua,
 E viverá em suma
 Existência.
 E será seu!

02.09.13

 Ninfeta morena me deixou sem rumo.
 Olhei pros teus seios e fiquei mudo.
 Me negaste a prosa dos lábios no barulho,
 Da bebibda ao porte, portando alto sex appel,
 Me hipnotizou no decote, me frustrou com dotes,
 Eu abalado assim ninguém mais viu.
 Só tu, que rebolando foi me conquistando,
 Me deixando maluquinho, com seu corpo bem feitinho.
 Contigo a cena é outra, corto pra 18 e sugo mel da sua boca.
 Te deixo louca, na minha mão.
 Deve ser por isso que não se dá o luxo de cair na tentação.

 Seu cheiro me instiga, me deixa na brisa.
 Me mostra aquela sua escondida tatuagem que eu chupo até a tinta.
 Te abraçando bem juntinho,
 Com as mãos bem perto do seu umbiguinho.
 Se estou sozinho contigo não sobra doce,
 Não sobra charme,
 Falta livre arbítrio,
 Ostento estilo,
 Da pegada desencanada que maltrata e te relaxada como uma massagem tailandesa que lhe arranca suspiros.

31.08.13 - Pela Rua

 Isso é minha vida,
 É muito mais que esporte.
 Pode soar até clichê.
 Mas é a única coisa que faço,
 Dou o sangue, o meu melhor,
 E não espero retorno e nem conto com a sorte.

 Em cima das quatro rodas,
 Encontro meu norte.
 Sigo o vento sem olhar pro umbigo.
 Corro pra bem longe sem gasolina,
 Sem queimar borracha,
 Apenas com a força da gravidade.
 Sobre a prancha eu sou forte.

 Eu acordo pensando em skate.
 Respiro e vou dormir pensando nele.
 Um ponto de encontro da mente,
 Uma âncora no consciente,
 Uns grãos de vitória na minha história.
 Para mim: no skate um role, no café preto um corte.

29.08.13 - Sabujo

 Leram durante a tarde toda,
 Com decepção na front e torcendo a boca.
 Não viam ali sentido algum.
 Liam capítulos, versículos...
 Só não leram mais por que só havia um.

 Questionaram-se sobre o antigo,
 E indagaram o novo testamento.
 Era mais claro pra Johnny,
 Voltar com Lisbeth para Sacramento.
 Era como uma obra de arte abstrata.

 Entalhado em couro legítimo,
 Com letras douradas na capa e páginas de papel pólen.
 O livro sagrado - de tão bem cuidado - não parecia ter sido criado por um homem.
 Era esteticamente maravilhoso.

 Mas o jovem casal não compreendia.
 Porque algo tão inofensivo quase não existia?
 O que tinha de mal neles,
 Não é tão ruim assim como dizem, não há poderes.
 "A magia não existe, não sei por quê proíbem."

 Na varanda da casa ouviu-se estalos,
 "Nos delataram" disse o marido acuado.
 Tentaram correr pelos fundos,
 Mas a polícia armara uma cilada.
 Foram presos e condenados por conspiração à pena de morte.

19.08.13 - Ela

 Eu não quero mais,
 Pode ir embora.
 Me dá nojo quando me toca os lábios.
 O seu cheiro impregna minhas roupas, meu cabelo...
 Antes era um prazer sem igual,
 Estar e tomar um café contigo.
 As vezes, até rolava uma cervejinha.
 Um encontro casual à três...
 Depois de algum tempo,
 Tratava de te mostrar aos outros,
 Deixava tocar meus lábios em público,
 E nada mais me importava.

 Agora me importo.
 Me importo com minha saúde, comigo...
 Me importo não só contigo, mas comigo.
 Você me faz um mal,
 E não mais quero voltar a vela.
 Se só assim podemos continuar,
 Então não quero mais tê-la pra mim.
 Tu acabaste com minha saúde, meu dinheiro, minha juventude.
 Meu fôlego fora embora... embora.
 Sobraste só a saudade de ti.
 Mas sou forte, persistente.

 Ainda não sois livre.
 Sinto falta...
 Mas você não faz mais falta em mim.
 Quero que vá, e peço que se retire agora!
 Vá brincar com outros lábios,
 E me deixe boiar no oceano de pensamentos.
 Fugirei de ti numa leitura de Bradbury,
 Ao som no Labirinto, de Incendiários na Anatema.
 Ficarei internado no covarde conforto.
 Não torne a voltar!

 Serei um atleta ao skate.
 Mais forte nas decisões.
 Preciso nos trotes nos caminhos sinuosos.
 Estou pronto para encarar os sintomas.
 Encarar a abstinência. O problema.
 Não vou virar as costas pras coisas.
 Nem deixar em branco os dilemas.
 É tudo novo.
 De uma tonalidade rubra intensa,
 Pulsante e muito viva.
 Vá embora!
 Não quero tornar a vela nunca mais, Nicotina!

13.08.13

 Mais uma madrugada fria.
 E eu, que vivia sem rotina,
 Estou fadado ao fracasso.

 Estou fazendo o que não faria.
 Sentado à TV, penso,
 Me esclareço e nada floresço.

 Os erros me levam a estaca zero.
 Como velhas falhas que abraço,
 Me questiono se prossigo.

 É chato, chato...
 Uma nova velha história,
 Me encontrara no início.

 Mas se fosse propício,
 O momento valeria, a escrita falaria,
 E neste momento eu fugiria de mim.