quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Videosia" - Egô Mazô



Primeiro vídeo do projeto Videosia", que visa criar uma extensão artística entre a escrita e o áudio visual. Para mais informações, assista.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

12.08.13 - O Cavaleiro Solitário.

 O Cavaleiro Solitário voltou,
 mas desta vez num cavalo branco.
 Todos os moradores do vilarejo,
 não estavam com medo de serem degolados.
 Estavam espantados!
 Nunca o Cavaleiro Solitário trocara sua montaria.
 Aquilo era estranho, e Glenda disse:
 "Não achei que o faria".

 O cavaleiro atravessou,
 com seu cavalo em trotes,
 a rua Rosseau.
 Estendeu a mão a donzela,
 e como quem tem olhos, olhou pra ela.
 A nuvem negra dentro de seu elmo,
 com ar mortífero e odor de ferrugem e bandagens,
 trazia além do torpor fúnebre, um nefasto elo
 entre o amor e o horror.
 Su'alma flertava com o mórbido sedutor.
 Tuas mãos, de metal frio,
 Estenderam-se a vida toda para alcançar com lâminas,
 os pescoços de belas damas.

 Desta vez, apaixonado por sua vítima,
 a convidara para cavalgar.
 Glenda, receosa, pôs-se a se explicar:
 "Tenho que fazer comida e... da casa devo cuidar,
 e além do mais, nem sei aonde essa cavalgada irá me levar."
 A voz rouca e ríspida emergira das profundezas,
 como se um vácuo nascera no oceano:
 "Vem, e veja com os próprios olhos".
 Glenda recusou e desviou os olhos.

 A ira do Cavaleiro Solitário foi como nunca antes vista.
 Não matara apenas virgens como o habitual,
 mas velhos e velhas, crianças e prostitutas.
 Todos que estivessem aos olhos da ira sua.
 Nada mais, naquele vilarejo,
 havia parado em pé a sua frente e sobrevivido.
 A não ser Glenda, que fora sido contra teu desejo.
 Mas por que?
 Por luxo, vaidade... até hoje nada se sabe.
 Mas dizem, que até meados de sua morte,
 Glenda vivera só, sem nenhum homem.
 Pois todos seus pretendentes sucumbiam á ira da lâmina,
 de amor reprimido e não correspondido,
 do solitário Cavaleiro Solitário.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

09.08.13 - A ferida Narcísica

 As musicas já não têm o mesmo sentido pra mim.
 Os tons de cinza depressivo, não estão mais frios que eu.
 As fotografias coloridas me causam nostalgia,
 me colam junto ao acento e me dão tédio.

 As garotas de antes não causam mais despertar nos olhos.
 As novas mulheres que olho não me conquistam mais.
 Os olhares dispersos me levam a meio segundo de euforia,
 e após tornam a cair na mesmice.

 O que é viver e não sobreviver?
 A resposta que antes me parecia tão simples e majestosa,
 me causava orgulho em ditar aos ventos a formula mágica.
 Mas agora, calado diante o mundo, não me desperta vontade retórica.

 Algo além das dívidas financeiras estão tirando-me o sono.
 Algo além das promessas do cotidiano me fere o orgulho.
 Algo muito mais além do que se pode ver,
 admitir ou responder, está me perseguindo como um espírito mau.

 ...

 Meus dedos não têm vontade de criar novas histórias.
 Meu coração não tem olhos pra mais ninguém além de minha ferida narcísica.
 Minhas convicções deixaram de existir, minhas ambições também.
 Não tenho objetivos na vida e nem vontade de percorrer, espero uma carona.

 Espero alguém por quem parar, diminuir o ritmo.
 Alguém pra acompanhar o raciocínio lento e desajeitado,
 vago e sem ponto de fuga, destemido pras coisas erradas.
 Alguma que acompanhe de vez os meus olhos quando este as percorre.

 Seria eu um ser dependente de carinho?
 Acho que a resposta está muito adiante do que se vê.
 Talvez no passado, talvez no presente.
 Talvez erros do passado, talvez contínuos erros do presente.

 ...

 Sinto nojo de mim, deitado o dia todo nesta cama de flagelos.
 Esta espelunca do meu quarto que mistura odores de tabaco,
 roupas sujas no chão, latas de tinta e esporros me dão enjoo e conforto.
 Mas não me conforto, só me conformo que está tudo fora de controle.

 Minhas coisas, meus móveis, meus utensílios refletem minha desorganização mental.
 Quanto mais esqueço-me de barbear-me, tomar banho, escovar os dentes,
 maior é a decepção comigo mesmo refletida pra todos.
 Eu não me importo, nunca me importei, mas a ferida narcísica foi cutucada.

 ...

 Eu que tanto abomino a vaidade e o status quo, estou imerso nesta merda.
 Preso até o pescoço pelas cordas da aceitação e a procura louca e desenfreada,
 de martírios e consumismo, para encontrar desenfreadamente por uma.
 Mas se eu a encontrasse, seria desastre, pois ela estaria amando o meu ego e não a mim.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os desajustados...

 Se te derem papel pautado,
 escreve de trás para frente.
                                            Juan Ramón Jiménez

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

01.08.13 - Dorminhoca

 Tive tudo com você,
 flores, céu, mar...
 Peguei muito bem,
 e até adormeci contigo.

 Quis lhe dar mar,
 flores, céu e o fel.
 Brindei só, a minha cachorrada,
 e degustei todo o mel.

 Contei a todos sobre o voo,
 zarpei o navio direção aos ventos.
 Contornei seu coração de sobrevoo,
 e o deixei solto só, no pântano.

 Causei estrago e não,
 quase nada te valorizei,
 e fiz de vez,
 o decreto final do sofrimento.

 ...

 Hoje te valorizo bem,
 me culpando de tanto mal...
 Pedi, supliquei aos céus uma chance,
 pensando que um dia a teria volta.

 Que brecha que dei!
 Pensei que fosse o rei.
 Achei, depois de tudo,
 que tu virias com um presente.

 No presente, presumo,
 calado diante de versos de resumo,
 que encontrarei algo real.
 Quem dera tudo fosse um sonho.

 "Saismodê", solta tudo de tudo,
 e de tudo sobra um pouco.
 Me cobra rouco,
 preso mezo, meço e louco solto,

 crio frases de impacto,
 contando mil fitas das eras.
 Nem ela que tanto sofreu,
 pensou em mim como a espera.

 Tanto falta frases queridas,
 que há muito tão esquecidas,
 penso em guardar todo torpor,
 mágoa e rancor, para sempre.

 ...

 Que louco, este bêbado insano.
 Falando consigo mesmo do passado,
 pensando que poderia corrigir
 um velho grande erro.

 Que lindo desfecho,
 eu solto em cerveja,
 escrevendo merdas sentimentais
 e pensando em revê-la.

 Que mal me fiz,
 só pensando em meu nariz.
 Tão velho sou,
 com alma pútrida,

 que ao menos me sobra bondade.
 Nem vivo, nem morto,
 nem espírito e álcool me salvam.
 Nem meu amigo caderno,

 que tanto eu prezo,
 me representa na defesa,
 na proteção, que seria sem nexo,
 pode parar esta dor imensa.

 Saudades, ...