As musicas já não têm o mesmo sentido pra mim.
Os tons de cinza depressivo, não estão mais frios que eu.
As fotografias coloridas me causam nostalgia,
me colam junto ao acento e me dão tédio.
As garotas de antes não causam mais despertar nos olhos.
As novas mulheres que olho não me conquistam mais.
Os olhares dispersos me levam a meio segundo de euforia,
e após tornam a cair na mesmice.
O que é viver e não sobreviver?
A resposta que antes me parecia tão simples e majestosa,
me causava orgulho em ditar aos ventos a formula mágica.
Mas agora, calado diante o mundo, não me desperta vontade retórica.
Algo além das dívidas financeiras estão tirando-me o sono.
Algo além das promessas do cotidiano me fere o orgulho.
Algo muito mais além do que se pode ver,
admitir ou responder, está me perseguindo como um espírito mau.
...
Meus dedos não têm vontade de criar novas histórias.
Meu coração não tem olhos pra mais ninguém além de minha ferida narcísica.
Minhas convicções deixaram de existir, minhas ambições também.
Não tenho objetivos na vida e nem vontade de percorrer, espero uma carona.
Espero alguém por quem parar, diminuir o ritmo.
Alguém pra acompanhar o raciocínio lento e desajeitado,
vago e sem ponto de fuga, destemido pras coisas erradas.
Alguma que acompanhe de vez os meus olhos quando este as percorre.
Seria eu um ser dependente de carinho?
Acho que a resposta está muito adiante do que se vê.
Talvez no passado, talvez no presente.
Talvez erros do passado, talvez contínuos erros do presente.
...
Sinto nojo de mim, deitado o dia todo nesta cama de flagelos.
Esta espelunca do meu quarto que mistura odores de tabaco,
roupas sujas no chão, latas de tinta e esporros me dão enjoo e conforto.
Mas não me conforto, só me conformo que está tudo fora de controle.
Minhas coisas, meus móveis, meus utensílios refletem minha desorganização mental.
Quanto mais esqueço-me de barbear-me, tomar banho, escovar os dentes,
maior é a decepção comigo mesmo refletida pra todos.
Eu não me importo, nunca me importei, mas a ferida narcísica foi cutucada.
...
Eu que tanto abomino a vaidade e o status quo, estou imerso nesta merda.
Preso até o pescoço pelas cordas da aceitação e a procura louca e desenfreada,
de martírios e consumismo, para encontrar desenfreadamente por uma.
Mas se eu a encontrasse, seria desastre, pois ela estaria amando o meu ego e não a mim.
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