segunda-feira, 12 de agosto de 2013

12.08.13 - O Cavaleiro Solitário.

 O Cavaleiro Solitário voltou,
 mas desta vez num cavalo branco.
 Todos os moradores do vilarejo,
 não estavam com medo de serem degolados.
 Estavam espantados!
 Nunca o Cavaleiro Solitário trocara sua montaria.
 Aquilo era estranho, e Glenda disse:
 "Não achei que o faria".

 O cavaleiro atravessou,
 com seu cavalo em trotes,
 a rua Rosseau.
 Estendeu a mão a donzela,
 e como quem tem olhos, olhou pra ela.
 A nuvem negra dentro de seu elmo,
 com ar mortífero e odor de ferrugem e bandagens,
 trazia além do torpor fúnebre, um nefasto elo
 entre o amor e o horror.
 Su'alma flertava com o mórbido sedutor.
 Tuas mãos, de metal frio,
 Estenderam-se a vida toda para alcançar com lâminas,
 os pescoços de belas damas.

 Desta vez, apaixonado por sua vítima,
 a convidara para cavalgar.
 Glenda, receosa, pôs-se a se explicar:
 "Tenho que fazer comida e... da casa devo cuidar,
 e além do mais, nem sei aonde essa cavalgada irá me levar."
 A voz rouca e ríspida emergira das profundezas,
 como se um vácuo nascera no oceano:
 "Vem, e veja com os próprios olhos".
 Glenda recusou e desviou os olhos.

 A ira do Cavaleiro Solitário foi como nunca antes vista.
 Não matara apenas virgens como o habitual,
 mas velhos e velhas, crianças e prostitutas.
 Todos que estivessem aos olhos da ira sua.
 Nada mais, naquele vilarejo,
 havia parado em pé a sua frente e sobrevivido.
 A não ser Glenda, que fora sido contra teu desejo.
 Mas por que?
 Por luxo, vaidade... até hoje nada se sabe.
 Mas dizem, que até meados de sua morte,
 Glenda vivera só, sem nenhum homem.
 Pois todos seus pretendentes sucumbiam á ira da lâmina,
 de amor reprimido e não correspondido,
 do solitário Cavaleiro Solitário.

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