Já tanto escrevi,
E tanto descrevi quem sou.
Há muito engoli,
Mas vomitei pra saber onde vou.
Tanto disparei a procura,
De corações que afagassem amargura.
Muito eu fiz nas ruas,
Caçando dores, oferecendo a cura.
Sem descrição eu continuei,
Buscando uma forma de lei,
Um dogma que me acalmasse,
Pra constatar que não sou obediente.
Tento tantas vias duvidosas,
Pra alcançar as minhas respostas,
Utilizando de interrogatórios em prosas,
Versando versos usados de outrora.
Quem sabe se o fim está próximo?
Quem sabe se meu coração tornou-se inóspito?
Quem delega as regras da vida?
Quem pode apontar a falha minha?
Alguém? Alguém tem voz?
Ninguém que critica pode ser porta-voz,
De mais um bailarino quebra-noz.
Nem eu, nem eles, nem vós.
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