terça-feira, 28 de julho de 2015

04.12.14 - Nicotina

A nicotina só me traz ódio e rancor,
Um ranso grosso de quem tanto se humilhou.
A cada trago que trago na ponta de meus pulmões,
Forma a dose da morte num sopro de dragões.

Não quero mais perder minha vida pra uma empresa,
Que fabrica pose em prol da realeza.
Uma empresa que bota o cigarro e a baioneta,
Um na boca e outra na mão de uma estrela.

É Band of Brothers, é O Resgate do Soldado Ryan,
É Tom Hanks pagando de zika com mais um trago na nicotina.

É Nicolas Cage não mais como surfista.
É o Motoqueiro Fantasma tragando a morte nas pistas.
É Hollywood contribuindo pro mal que te alicia.

É zika, e medo, é morte, um dedo.
É filho sem força e é mãe sem força.
É o câncer pulmonar destruindo mais uma família pela boca.

É o Bic,é o fogão, é a caixinha de fósforos, é mais um bastonete na boca de um meninão.

É grana pra Souza Cruz,
Dinheiro pra Phillip Morris,
É o maço de Marboro ficando mais barato que o box.

É os artistas, as celebridades,
É a fé na ilusão de que de cigarro ninguém morre.
De que de câncer se morre não.

É o caos na Terra, é um pé na morte.
É a chupeta do capeta te atraindo pro forte.

Uma construção macabra de dor e sofrimento.
Um consórcio de vida sendo paga com o suor teu.
É a vida como um filme na ponta da sua brasa.
É a bituca que acende mais uma baga.

É dor, é ódio, é válvula de escape e rancor.
É perca de emprego, despedida do amor,
É a fêmea que te abandona por que lutar contra o vício não suportou.

É dor, é dor, é sofrimento contínuo.
É ujm ex-amigo e tu mudando um círculo,
Social e tal extravagante no recinto,
Os seus olhos vermelhos fitando mais um abismo.

É tchau, é mel, é pecado no céu.
É sopro, é breath, é espasmo, ou rosbife,
É a necessidade de criar em meio a crise.
E de concertar flertando com o silêncio mais um de seus deslizes.

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