E então, encontro na condução um velho amigo de escola. Me desloco do meu acento, cumprimento, pergunto sobre os projetos de vida e o que ele estuda. Mas o tempo todo fico observando sua expressão incômoda, um misto de espanto e incredulidade. Me olha como se eu tivesse me tornado um animal, um monstro, uma coisa... Mal sabe conversar, mal quer conversar, nada sobre mim pergunta. Mas com a bela educação que tive, falo sobre meus projetos de vida, aonde trabalho, aonde estou morando e como é uma puta nostalgia reencontrar um velho colega de classe. Me despeço citando seu nome, o cumprimento e mais uma vez sinto seu falho aperto de mão onde só agem seus dedos, e sorrio educadamente enquanto me viro e ouço seus pensamentos gritando alto: "qual o nome dele mesmo?". Volto ao meu lugar e penso como as pessoas não mais se encontram, se esbarram. Ninguém mais sabe ter uma conversa amistosa sem esperar algo do próximo. O que há com todos vocês que precisam o tempo todo estar na defensiva, com o "pé atrás"... Será que esta frieza toda é o acumulo de decepções ou precaução exagerada?
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