sábado, 16 de agosto de 2014

10.05.14 Cachorro Magro

Nasce o Cachorro Magro,
E não é por vaidade,
É excesso de amor.
Rejeição.
Falta de instrução?

Angústia, medo.
Medo do agora,
Cachorro Magro abandonado,
Sem casa, no relento,
No frio noite adentro.
Perpétuo. Escasso.
Sozinho e revoltado.

Bato no peito e grito:
"Sou bicho solto,
Malaco, pilaco intuitivo."

Não tenho dono,
Não tenho regras,
Não tenho trono.

Sou sossego.
No caos, chamego.
Dose dum dedo.

Dois goles de loucura,
Meu desassosego?
Sou das águas mais turvas,
Um poço do medo.

O errado e viril,
Assíduo e voraz.
A sanidade partiu,
Um Ator aqui jaz.

Nasce o Cachorro Magro,
Parte cão, resto homem.
Guarda feromônio em frascos.
Alimenta-se do próprio abdômen.

Umbigo gigante,
Escamoso,
Bem conservado,
E venenoso.

Físico atlético?!
Só se for a anatomia da língua.
Histórico médico?!
Uma maravilha.

Olhar cético,
Persona sem doutrina.
Vida simples,
Saliva rica.

Pega com tranco,
Mas com braço manso.
Ela gozava litros enquanto ria.
Ele aproveitava enquanto sorria.

E sorria,
Curtia, batia.
Vivia pouco.

Pouco a pouco.
Dia a dia.
Amarelo sorria.
O suicídio queria.

Desejava e ansiava.
Planejava e recuava.
Atenção chamava.
Rejeição ele não mais tolerava.

Vida de cão,
Solto na selva desnutrido.
Só buscando destruição.

Vida de louco,
Vivendo uma relação de ódio e amor.
Com seu emprego, sua família e sua dor.

"Sem vida, sem dor."
Assim pensou.

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