Apertava e torcia seu dichavador como queria.
Batia o em cima da pure hemp e tirava os galhos,
Enquanto fumava de canto da boca um cigarro de filtro branco.
A cada três meias voltas dava uma mais longa,
A cada três longas voltas, tomava um gole de Stella.
Molhava o bico vermelho e seco,
E tornava, de cabeça baixa, a triturar seus camarões.
Minha bela loira de amarrados dreadlocks,
Passava a goma na seda,
Apertava bem apertadinho seu baseado,
E o acendia com seu bic enquanto puxava bem forte.
Deu lhe um belo de um trago e prendeu a respiração,
E em seguida mais um, sem soltar a fumaça.
Olhou pra mim, que ali estava deitado de cueca.
Me esticara seu belo e fino pulso,
Me dera o fino por entre os dedos e comentava por alto,
Como eu precisava de uma manutenção em minhas tranças.
Eu?! Só concordava. Ascentia...
E ouvia a voz dela sumir enquanto era hipinotizado,
Pelos seus globos oculares azuis,
Por seus lábios cor de sangue...
A princesa, dona de uma habilidade distinta,
Uma técnica e experiência invejável com o beck,
Estava ali, comigo.
Ela, brincava com olhares por cima de seus ombros,
Mandava beijos enquanto me olhava fumar minha baga.
Eu, só a admirava com ar de satisfação,
Ela que vestia minha camiseta tie dye e meias 3/4's,
Trajava inocência, elegância e confiança.
Ali, naquela tarde de domingo,
Que por sobre minha cama, vindo das persianas tom pastel,
Adentravam raios solares alaranjados indicando o por do Sol,
Eu notei que era uma despedida silenciosa.
Nós dois sabíamos que nunca mais nos veríamos,
Nós dois entendiamos que nada daquilo se tornaria real.
Nós dois sabíamos que eu nunca iria ao Maranhão,
E que ela nunca mais retornaria a Capital.

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