terça-feira, 30 de julho de 2013

02.07.13 - "Arte chora"

A arte me pediu ajuda? 
 "Arte Chora"

 Eu nunca ouvi a arte me chamar.
 É sério, eu a ouvi.
 Ela falou tão alto comigo,
 que não teve como não escutar.
 Ela me disse coisas,
 não são segredos mas são secretas.
 Me mostrou caminhos obscuros da arte,
 que têm um sabor subversivo.
 Eu me vi em devaneios de tinta,
 no alto de edifícios,
 com os dedos sujos de tinta,
 tentando saciar um vício.
 Me vi deixando marcas nos muros,
 hematomas no município.
 Me vi fazendo revolução da arte.

 Sonhei acordado nesta noite clara,
 acorrentado nos cobertores da "cidade joia".
 Me vi nadando nos lençóis chuvosos,
 de um domingo triste e cinza,
 sem arte, sem nada.
 Um domingo frio como o frio que aqui faz.

 Me vi documentando,
 palestrando,
 criando a história, e compartilhando,
 esta subversiva e notória arte das ruas.

 Agora, me vejo na chuva,
 com papel e caneta,
 desenhando letras pingadas,
 lágrimas escritas,
 com referências distintas há muito esquecidas.
 E ouvi a chuva... A chuva,
 um carro derrapar,
 senti cheiro da borracha no asfalto,
 úmido asfalto,
 soar como o som da única arte subversiva que é ouvida,
 assistida e aplaudida no meu país;
 A violência.

 Ouvi a violência, o descaso,
 o rancor,
 a maldade e a dor.
 Ouvi a minha cidade chorar.
 Assisti a minha cidade gritar por socorro
 e cair em prantos em meio ao caos.
 Ah, como chove... como chove.

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